quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Crítica: METALLICA - HARDWIRED TO SELF-DESTRUCT

HARDWIRED TO SELF-DESTRUCT.

Por Fraterarez.

EXCELENTE TRASH METAL!
É um excelente álbum de heavy metal, sobretudo porque o Metallica entregua aquilo que esperamos, trash. Sim, a maioria das faixas é trash, batida rápida, rifs cortantes e excelentes refrões que lembram da era anos 1980.


HARDWIRED – Clássico Agressivo.

A maioria das músicas são aceleradas, rápidas mesmo, raspadas, agressivas. A afinação está um pouco baixa em algumas faixas, como em “Murder One” e na música de trabalho “Hardwired”. A sonoridade não chega a frustrar como a que se ouviu por exemplo em “S & M”(1999), que destruiu o rif seco e agressivo dos clássicos.

O que se tem sim é uma boa pegada trash, uma vez que nitidamente lembramos um pouco das peças mais speed metal já feitas pela banda. As guitarras não são tão secas como nos bons tempos mas temos bases fortes e marcantes com rifs gritantes. O que garante a chicotada também é Lars Ulrich detonando geral nos bumbos, fazendo um excelente uso de seus pedais duplos. Tenho a impressão de que chegaram num equilíbrio, num tempero entre as afinação alta dos anos 80, a sonoridade new metal da era “Load” dos anos 1990 e o retorno ao trash com “Death Magnethic” (2008).

Essa impressão de trash é reforçada ainda mais pelo marcante biaxo de Trujillo, que faz muito bem seu papel. Não chega a ser um Cliff Burton, mas o baixo volta a ter seu espaço marcante. Essa sonoridade um pouco menos seca e raspada das guitarras em algumas músicas pode desagradar aos fãs mais tradicionais, entretanto o disco tem muito de trash metal e nada de som vendido ao mercado.

NOW THAT WE'RE DEAD - Metal Tradicional.


Sonridade menos seca. A afinação tradicional é ressaltada no rif marcante, direto e cadenciado da excelente “Now That We're Dead”. Muito longe do new metal, a afinação baixa não chega a descaracterizar o trabalho da banda, até porque, como já disse, não é constante no álbum. Nesta faixa fica evidente o resgate do metal tradicional, dos álbuns com ritmo mais cadenciado da banda, como o clássico disco preto Metallica (1991).

Aqui sim, temos base de metal tradicional para calar qualquer crítica injusta quanto a esse aspecto. O Metallica celebra o heavy metal, sobretudo seus fãs, dando a eles um pouco de tudo, bem dosado, conseguindo congregar várias gerações nessa obra prima.

MAIS FEELING - Spit Out The Bone.

Bem superior a Death Magnetic, esse trabalho é mais violento e passa uma ideia de ter mais feeling. Ou seja, os caras parecem estar com mais vontade. Coisa subjetiva, óbvio, afinal de contas não dá para mensurar o sentimento ou a vontade de tocar. Talvez se eu tivesse 16 anos curtisse bem mais e ficasse mais empolgado. Mas é impossível ouvir esse novo Metallica e não compará-lo com os tempos áureos que duraram até o álbum preto.

Essa reminiscência aos álbuns clássicos não desanima, mas sim nos motiva a querer ouvir cada vez mais esse novo trabalho. Logo, o que se sente é um disco empolgado, planejado e desejado pela banda, cujos temas são arrebatadores, como em “Spit Out The Bone”, um verdadeiro petardo como a muito não se ouvia, com um rif cortante a lá “Blackened”, a visceral faixa de abertura em ... And Justice for All de 1988, e a agressão pesada de chicotadas como “Damage, Inc” (Master of Puppets, 1986) ou Dyers Eve (... And Justice for All de 1988).

REFRÃO, LEGAL, MARCANTE E MELÓDICO - Moth Into Flame.


James Hetfield começa cantando bem, forte e agressivo, mas ao longo do disco sua tentativa em não gritar e ser melódico pode incomodar em alguns momentos.

Percebe-se isso na quarta faixa “Moth Into Flame”, que não chega a ser ruim, é boa a música, mas algo na melodia cantada por Hetffield me incomoda. A coisa quase desanda com as primeiras estrofes de “Dream No More”, em que Heatfield canta em tom de gosto muito duvidoso. Mas é quase, porque logo a base pesada e o rif marcante resgata a música. Uma raspada bem pesada, algo que se encontrou no disco preto de 1991 e em “The Outlaw Torn” (Load, 1996). Talvez esse incomodo com o jeito mais melódico de Hetfiled cantar seja apenas xaropisse de fã velho. Mas para por aí, porque sempre que isso acontece vem um refrão bem legal e agressivo, como em “Dream No More” e em “Confusion”.

FERRO CONTRA FERRO - Dream no More e Am I Savage?

Nas músicas que menos gostei, “Dream no More” e “Am I Savage?”, se salvam trechos em que a base de guitarras raspa como ferro contra ferro, o que é muito massa. O vocal também soa em alguns momentos como uma tentativa melódica frustrada, lembrando de longe algo como glan rock.

Os rifs são poderosos durante todo o disco, as bases sempre pesam, de mais, num resgate das boas pegadas do álbum preto.

SONORIDADE LIMPA: excelente produção.

Aliás, que produção, consegue-se distinguir agudos e peso, sem embolar tudo. Ao contrário de trabalhos como Death Magnethic (2008), St. Anger (2003) e ...And Justice for All (1988) a produção é impecável. Nada de som abafado, nade embolar os graves, tudo em seu lugar.

A bateria soa como no disco preto, as guitarras, já tanto comentadas, estão limpas e certeiras e o baixo é ouvido numa boa. Os vocais se sobresaem, nítidos sem obscurecer nenhum outro instrumento. Nesse sentido diria que é um dos, senão o melhor disco em termos de produção da banda.

CARÁTER MELÓDICO.

Por falar em boas faixas, eu acho que o Metallica dá uma aprimorada em seu caráter melódico, entregando temas mais marcantes, alguns rifs muito legais.

Justamente a “Atlas, Rise!” e também a penúltima do segundo cd que já citei, “Murder One”, são tão metal melódicas quantos jóias como “One” (...And Justice for All, 1988) e “Welcome Home (Sanitarium)” (Master Of Puppets, 1986), só para citar dois casos específicos.

Já teve crítico dizendo que tem trechos que lembram Iron Maiden. Sem essa, o Metallica tem melodias viajantes nos discos clássicos e dispensa comparação com qualquer outra banda. Metallica é influencia definitiva no mundo da música.

O fato é que o disco todo tem pitadas bem dosadas de melodia e temas marcantes.

HERE COMES REVENGE - guitarras modernas com uma estrutura clássica.

 Há entretanto o saudosismo, para os bondosos, ou a reciclagem de ideias velhas, para os cruéis. Tipos de andamentos, rifs, como o de “Here Comes Revenge”, que lembra de mais “Creeping Death” (Ride The Lightning, 1984) e “The Thing That Should Not Be” (Master Of Puppets, 1986). A introdução de “Dream no More” nos remete a “My Friend of Misery” (Metallica, 1991).

Não podemos confundir estilo com repetição. Tem muita coisa que remete aos clássicos, alguns rifs, principalmente no disco 2. Nesse sentido, as guitarras fazem sim os fãs viajarem a um ponto entre o presente e o passado, com guitarras modernas com uma estrutura clássica. Bem, competência os membros da banda sempre tiveram, faltava-lhes o feeling para conseguirem fazer esse álbum primoroso.
  
MELHORES FAIXAS - Spit Out The Bone e Atlas, Rise!

Destacaria minhas faixas preferidas, a segunda “Atlas, Rise!” e a ultima e visceral “Spit Out The Bone”. “Atlas, Rise!” é um exemplo da habilidade do Metallica em combinar melodia e agressividade. Excelente refrão, belos temas de guitarra e rif marcante. Uma grande música, já é um clássico.

“Spit Out The Bone” é senssacional e me faz acreditar ainda mais no Metallica. Ouvir essa música me reforça o quanto sou fã da banda, e me mantendo firme e seguro como apreciador de hevy metal e trash metal.

VIVA O METALLICA!

Metallica uma banda que subiu ao céu, desceu ao inferno sendo acusada de se vender a indústria fonográfica e voltou com tudo para o novo underground milhonário do show biz.
Viva o Metallica.


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